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  Uma Entrevista com Jorge Knirsch

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 do
 
powerline Audiófilo lf-115
 
http://youtu.be/QDZqmV4LgME

 
  Veja os comentários de Fernando Sampaio (RJ) a respeito de fiação sólida e aterramento do neutro.
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O Áudio e o Pinheiro
3.º Parte

Áudio

 Jorge Knirsch

Introdução

No artigo do mês passado, falávamos sobre o processo de aprendizado auditivo, que ocorre principalmente ao nos expormos à música “ao vivo” com certa assiduidade. Mencionamos o quanto a nossa relação com o nosso próprio sistema pode ficar sofrida, quando começamos a ouvir música “ao vivo”, justamente por constatarmos a enorme diferença sonora existente entre o que temos ouvido em casa e o som tocado “in loco”. E comentamos como muitos de nós acabam por ficar bem desalentados, alguns chegam até a ficar tão baqueados que têm a sensação de terem atingido “o fundo do poço”. Bem, se este é o seu caso, quero lhe confortar, afirmando que a partir deste ponto em que você se encontra só dá para melhorar, só dá para subir! Ânimo! Vamos lá, coragem! Um grande e importantíssimo passo foi dado! O fundo do poço foi atingido!!  Vá em frente! Este é o caminho!
        Depois disto, mostramos que o mais importante, embora muitas vezes difícil de se conseguir, é identificar o elo mais fraco no nosso sistema. Em outras palavras, precisamos identificar qual o equipamento, dentre todos, que possui a mais baixa pontuação em termos de qualidade sonora e de imagem. Esta identificação pode ser feita de duas maneiras: uma, por revistas especializadas, onde se pode encontrar avaliações dos equipamentos, através de uma pontuação dada a cada um deles, e a partir daí verificarmos qual, dentre os do nosso sistema, possui a menor pontuação. Como normalmente não vamos encontrar todos os aparelhos que possuímos mencionados numa única revista, torna-se necessário consultar várias delas, para podermos completar a nossa lista, mas aí é preciso que tomemos os cuidados necessários para adaptar os métodos de avaliação de cada revista, a fim de tirarmos as conclusões corretas. Outra maneira, um pouco mais trabalhosa, porém mais experimental, é tomarmos emprestado, do nosso círculo de amizades, alguns aparelhos e escutá-los em casa, já que agora os nossos ouvidos estão ficando cada vez mais afinados com a música ao vivo! Um critério importante para isto é escolhermos aparelhos de sistemas mais caros que o nosso e, no caso do aparelho específico que queremos avaliar, escolhermos algum que tenha de forma geral pelo menos o dobro do valor do nosso. Esta regrinha, a meu ver, é fundamental!! (Infelizmente não existe mosca branca por aí!) Por que afirmo isto? Porque quando uma revista faz uma lista geral de pontuação de aparelhos, percebe-se que, para uma mesma pontuação de qualidade sonora, existe uma diferença no preço dos equipamentos de pelo menos duas vezes, senão mais, com relação ao de menor valor para com o de maior valor. Vejam bem, estou afirmando que isto ocorre para equipamentos de uma mesma pontuação sonora! Não estou querendo vender o mais caro, estou simplesmente constatando o que existe nas revistas especializadas, e isto nada mais é do que um reflexo do mercado! Como estou supondo (e não poderia ser diferente) que sempre procuramos fazer a melhor compra, ou seja, que sempre compramos o aparelho mais barato da pontuação considerada, o assim chamado “Best Buy”, temos que testar um outro aparelho, com pelo menos o dobro do valor do nosso, para garantirmos que estaremos subindo rumo ao topo do pinheiro, ou seja, em direção a uma pontuação sonora mais alta! Este procedimento efetivamente nos ajudará a darmos mais um passo a frente em termos de qualidade sonora e de imagem!

© 2004-2008 Jorge Bruno Fritz Knirsch
Todos os direitos reservados
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A Compatibilidade entre Power e Caixa Acústica

         Para exemplificar, como já havia comentado anteriormente, pretendemos analisar aqui com vocês alguns aparelhos que foram agrupados num mesmo nível de qualidade sonora, segundo uma avaliação feita pela revista alemã AUDIO em maio/2002. Como estaremos tomando dois tipos de aparelhos muito inter-relacionados entre si, os amplificadores de potência (powers) e as caixas acústicas, faz-se necessário analisar primeiro a questão da compatibilidade entre eles. Sabem por que? É que nem todo power toca toda caixa acústica, assim como nem toda caixa é bem tocada por qualquer power. Pretendo explicar esse aspecto um pouco melhor, já que certas revistas especializadas internacionais fazem alguns gráficos a respeito deste assunto e a maioria de nós não entende bem o que eles significam.
         Observem a figura apresentada, onde aparecem quatro gráficos: os dois de cima referentes a dois amplificadores de potência e os dois de baixo, referentes a duas caixas acústicas. São desenhos tridimensionais, onde o eixo das abscissas, também chamado de eixo do x, representa a defasagem entre a corrente e a tensão que o power fornece a uma carga (nos gráficos de cima), ou a defasagem que a caixa solicita do power (nos dois gráficos de baixo). Pode-se observar que este eixo das abscissas varia entre –60 e +60 graus. No eixo das ordenadas, ou eixo do y, é colocada a impedância da carga que, nesta figura, pode variar de 2 a 8 Ohms. E no eixo z, é colocada a tensão máxima que o power pode dar a uma determinada carga para uma dada impedância e uma dada defasagem (nos gráficos de cima),  ou é a tensão máxima que a caixa pode receber de um power, sem saturar (nos gráficos de baixo). Espero que na figura isto seja legível. Não cabe explicar aqui como esta curva, muito importante para os amplificadores de potência, é realizada em laboratório, pois sairia do escopo deste artigo e se tornaria algo muito técnico e enfadonho. Quero apenas apresentar estes gráficos, que têm forma de paralelepípedo e que são muito divulgados por revistas internacionais, principalmente pela AUDIO alemã, para mais adiante introduzir um parâmetro muito interessante, que ela definiu com exclusividade, denominado AK.
        Os dois gráficos de cima na figura representam a potência máxima que um power pode dar às cargas mais difíceis de serem tocadas, sem distorcê-las (cargas com menor impedância e maior defasagem, oriundas das caixas acústicas). Quanto mais planos forem estes gráficos e quanto maior tensão apresentarem, melhores serão os powers, isto é, maior será o número de caixas acústicas difíceis que estes powers poderão tocar.

Nesta figura aparecem quatro gráficos tridimensionais,  onde os dois de cima se referem a dois amplificadores de potência: um Krell à esquerda e um Sherwood à direita  e os dois de baixo são referentes a duas caixas acústicas: a da esquerda é uma Infinity e a da direita é uma JM Lab. Estes gráficos se destinam à verificação de compatibilidade entre os  referidos aparelhos.

Muitos audiófilos crêem ser possível estabelecer critérios de compatibilidade entre uma caixa e um power, considerando a sensibilidade da caixa e o fator de amortecimento do power. Estes parâmetros, já definidos, infelizmente não dizem nada a respeito da defasagem do power, nem da caixa e, portanto, não permitem definir a compatibilidade no seu todo. Somente através destes gráficos que estamos agora apresentando aqui,  que já têm sido utilizados pela mídia internacional há algum tempo, é possível se obter uma resposta satisfatória.

Mas como os deveremos interpretar, para sabermos se um dado power toca uma determinada caixa acústica? Em outras palavras, como poderemos saber se existe compatibilidade entre ambos? Simplesmente sobrepondo os dois gráficos, do power e da caixa acústica, para verificarmos se alguma parte do gráfico da caixa acústica se sobressai à curva do power ou não. Se nenhuma parte se sobressair, ou seja, se a curva do power encobrir totalmente a curva da caixa acústica, poderemos afirmar que ambos são compatíveis entre si!! Caso contrário, não haverá completa compatibilidade! Vejam, na figura, que o power Krell encobre as duas caixas apresentadas, mas o power Sherwood encobre apenas a caixa Infinity.

Já falamos que este tipo de gráfico é apresentado por muitas revistas especializadas. O problema é que estas revistas deixam para o leitor o exercício da sobreposição gráfica, para que ele mesmo tire as suas próprias conclusões, o que muitas vezes não é tão fácil. A revista alemã AUDIO, no entanto, considerando esta dificuldade que o leitor poderia encontrar, criou com exclusividade, um parâmetro de compatibilidade, justamente baseado neste tipo de gráfico, e o denominou “AK” (=AUDIO-Kennzahl, traduzindo: parâmetro técnico-auditivo de compatibilidade). Assim, toda vez que o AK do power for superior ao da caixa acústica, isto significará que existe compatibilidade entre estes dois aparelhos. O parâmetro “AK” teoricamente vai de 0 a 100. Na prática, temos que quanto maior o AK de um power, maior também será a sua possibilidade de compatibilidade com várias caixas. Não é interessante? Um dia, quem sabe, as revistas nacionais possam apresentar análises técnicas semelhantes. Mas o importantíssimo aqui é mencionar que o AK não diz absolutamente nada a respeito da qualidade sonora do referido aparelho, muito menos da qualidade sonora do conjunto como tal. Não existe nenhuma correlação entre o AK e os pontos de qualidade sonora! Porém, a AUDIO alemã garante que a análise de compatibilidade realizada através do AK é bem segura. Digamos que um power tem um AK=57 e que uma dada caixa acústica, um AK=64. Se ambos estiverem tocando juntos, estes AK vão indicar apenas que os dois aparelhos não são compatíveis entre si, podendo portanto surgirem distorções audíveis em algumas regiões do espectro de freqüências, como também poderá acontecer do conjunto apresentar baixa dinâmica e baixa resolução. Porém, ambos os aparelhos poderão ter recebido altos pontos na qualidade sonora e, se assim for, embora não sejam compatíveis entre si, tocarão muito bem com outras caixas e com outros powers , havendo compatibilidade.

A Metodologia

Como já comentava no primeiro artigo desta série, assino várias revistas especializadas. A mais renomada delas é, sem dúvida, a THE ABSOLUTE SOUND MAGAZINE, do Harry Pearson. Assino também a AUDIOphile, AUDIO e a Stereoplay, revistas alemãs e a Stereophile americana também. E, de vez em quando, compro ainda algumas revistas nas bancas como a HI-FI CHOICE, entre outras. Todas elas têm metodologias diferentes para testar equipamentos. O interessante é que, quanto mais a sistemática usada por uma revista se torna precisa e coerente, mais lida esta revista começa a ficar e mais criticada também! Todas as metodologias, porém, não deixam de ser subjetivas, porque em parte dependem dos revisores. No entanto, dentre todas elas, a que mais me agrada, por considerá-la a mais neutra, é a pontuação feita pela revista alemã AUDIO. Esta revista possui uma sala padrão, com os melhores equipamentos existentes na atualidade. O valor total desta sala, hoje, é algo em volta de alguns milhões de dolares e os testes feitos ali estão sob a responsabilidade de uma equipe de  revisores auditivamente qualificados. Eles testam individualmente cada aparelho, nesta sala padrão, e dão notas para cada característica sonora que avaliam. A pontuação final é obtida pela média das notas que cada característica sonora recebeu. Além disso, esta revista possui a maior lista de aparelhos testados que conheço e faz questão de atualizá-la todos os meses, algo que gira em torno de mais de 1000 aparelhos testados!
       Pessoalmente, considero que todas as revistas idôneas têm seus pontos fortes e penso que todas elas deveriam ser consideradas na hora de uma análise para uma possível compra, o que nos ajudaria bastante a reduzir a possibilidade de erro.
       Antes de entrarmos nos pontos da qualidade sonora, vou lhes mostrar as diferenças que existem entre duas metodologias da Áudio & Vídeo e a realizada pela revista AUDIO alemã. Essas diferenças precisam ser esclarecidas para podermos nos situar com clareza e entendermos melhor a análise que será feita a seguir. São dadas notas para as várias características sonoras do aparelho que está sendo avaliado e depois a somatória destas notas é que vai colocar o aparelho em uma dada categoria.
       Vamos primeiro colocar quais são as características sonoras que são avaliadas e quais as que a revista alemã adota para as suas avaliações. A metodologia nacional abrange oito características, enquanto a alemã, somente cinco. São elas:

Características Sonoras

Áudio & Vídeo AUDIO
   
 Equilíbrio Tonal     Neutralidade
 Textura  
Organicidade  
Musicalidade  
Transientes        Precisão
Dinâmica     Dinâmica
Palco Sonoro  Palco Sonoro
Corpo Harmônico  Fundamento do Grave

A revista alemã tem um método mais simplificado, onde o equilíbrio tonal, a textura, a organicidade e a musicalidade estão todos englobados na mesma característica de neutralidade. É necessário entender as características de cada revista em detalhe. As outras características são mais ou menos correlatas. Talvez um dia, quem sabe, sonhar é permitido, exista a possibilidade de termos uma metodologia única para todas as revistas, como já se comentou, há meses atrás, na THE ABSOLUTE SOUND MAGAZINE. Hoje isso ainda é uma utopia! Mas quem sabe?!... O futuro dirá!
       A cada característica sonora, a revista nacional atribui uma nota, que vai até 10 (dez), e a revista alemã até 100 (cem). Além disso, as duas revistas não excluem a possibilidade de, em casos especiais, poderem dar uma nota acima destes valores citados, devido a certa melhoria significativa em alguma das características sonoras, pelo desenvolvimento tecnológico dos aparelhos. Isto também se justifica, para manter a coerência de tudo aquilo que tem sido feito através das avaliações realizadas até o momento. Após algum tempo, as escalas acabam ficando obsoletas e precisam ser novamente re-alinhadas e é isto o que acontece. Na revista AUDIO, as notas de cada característica são sempre múltiplas de cinco, de forma que, da média destas nota, se obtém a nota global do equipamento, que será, portanto, sempre um número inteiro. Como uma ou mais características podem apresentar uma nota acima de 100, a nota final do aparelho também poderá ficar acima deste valor. No caso da revista nacional, faz-se a soma das notas das características, de forma que a nota global máxima, dada para um equipamento, poderá ficar no máximo em 80 pontos, uma vez que são oito características sonoras. O fato de que não é possível chegar a 100 pontos pode atrapalhar a análise.
       Os equipamentos, com pontos globais, são divididos pela revista nacional em quatro categorias e pela revista AUDIO alemã em seis classes. Abaixo apresentamos uma tabela que mostra melhor essas diferenças:

A Divisão dos Equipamentos

 

Áudio&Vídeo AUDIO
Categorias   Classes
   
  Referência (acima de 91)
Diamante (de 74 a 80) de Ponta    (de 76 a 90)
Ouro        (de 62 a 72) Superior    (de 61 a 75)
Prata        (de 44 a 60) Média       (de 31 a 60)
Bronze     (de 31 a 40)    Padrão      (de 16 a 30)
  Inferior     (de   0 a 15)

Eis aí descritos os dois sistemas de avaliação! Alguém poderá perguntar: qual deles é o mais indicado? Como resposta, poderemos dizer que cada um tem as suas virtudes, seus pontos fortes e que também ambos são passíveis de erros, como tudo o que é avaliado subjetivamente. Sou de opinião que o que traz maior vantagem ao leitor é poder analisar e considerar o que cada revista tem de bom, não somente levando em conta estas revistas que temos mencionado, mas também todas aquelas às quais o leitor se identifica e tem acesso e, a partir daí, que ele possa tirar as suas próprias conclusões, para em seguida tomar uma decisão mais coerente e acertada para o seu próprio sistema. Entre estas duas revistas acima mencionadas é necessário ressaltar o investimento gasto pela revista alemã nos equipamentos e na sala tratada, cujas fotos saem em todas as edições. 

Os Pontos da Qualidade Sonora

Bem, vamos agora fazer uma análise de algumas caixas acústicas e powers, pertencentes a um mesmo nível de qualidade sonora. Para isto, vamos retirar um exemplo da revista alemã, onde queremos mostrar como poderemos fazer boas combinações entre estes dois grupos de aparelhos.
       Na publicação de maio/2002, a revista AUDIO  apresentou como nota máxima para sua avaliação de qualidade sonora (QS), para as caixas acústicas, 104 pontos e para os powers, 130 pontos. Esta alta pontuação dos powers foi devida aos fortes avanços tecnológicos ocorridos nos últimos anos com relação a estes aparelhos. Para este nosso exemplo, a fim de que pudéssemos comparar algumas caixas acústicas e powers, pertencentes a um mesmo nível de qualidade sonora, tomei o grupo de 80 pontos de qualidade sonora (QS) para as caixas acústicas e o de 100 pontos para os powers, de forma que os dois grupos escolhidos pudessem estar no mesmo nível relativo, apesar de, neste caso, estarem em classes diferentes, devido à pontuação máxima dos powers estar muito acima. Os preços foram publicados já na nova moeda, o euro europeu.

Caixas Acústicas:

Caixa   Preço  AK QS  
       
Canton Karat M 80  1800 54 80
Elac 512  2000 69 80
Isophon Galileo 2300 71 80
JM Lab Electra 906 1790 60 80
Tannoy D-900 5100 34 80
Thiel MCS 1 6800 55 80
Visonik Concept 5 2600 61 80

Powers:

Aparelhos  Preço  AK QS  
       
Aloia ST 13.01 2900 60 100
Kora Titan 5000 59 100
Krell HTS 12000 79 100
MBL 8010 C 3500 66 100
Octave M 100 5800 49 100
T+A A 1520 1900 69 100
TAG McLaren 100 x 5 R 4500 71 100

Observem atentamente a tabela acima e vejam a loucura destes dados! Apesar de todos estes aparelhos terem recebido a mesma pontuação sonora, isto não quer dizer que soem absolutamente iguais. Pode haver diferenças em uma ou até em várias características, porém como todos tiveram a mesma nota final, foram alistados no mesmo nível de qualidade sonora. Vamos colocar a seguinte questão: qual seria a combinação mais correta e mais barata entre as caixas acústicas e os powers apresentados, para que pudéssemos escolhê-los e fazer um teste de audição na nossa sala? Vamos fazer uma análise mais aprofundada, pois queremos chegar a uma conclusão correta e a uma resposta coerente. Em primeiro lugar, quero dizer que o fato da quantidade de powers e de caixas acústicas ter sido a mesma, na listagem da AUDIO, para este nível de qualidade sonora, isto foi pura coincidência. Não é regra. Aliás, é uma exceção. Mas esta coincidência não invalida a nossa análise, bem ao contrário, torna o nosso bate-papo mais abrangente! Vamos iniciar, observando os preços das caixas acústicas. A caixa mais barata é a JM Lab Electra 906, que custa 1.790 euros, logo seguida pela Canton Karat M 80, com valor quase igual, ou seja, 1.800 euros. A caixa mais cara é a Thiel MCS 1, custando 6.800 euros, um fator cerca de 3,8 vezes maior. Notem que todas estas caixas apresentam os mesmos 80 pontos de qualidade auditiva! Vocês estão percebendo que a caixa mais cara deste nível sonoro custa 3,8 vezes mais o que custa a mais barata do mesmo grupo? Isto não é impressionante?! Observem que ambas apresentam o mesmo resultado auditivo! Alguém poderá perguntar, somente por curiosidade, qual seria o valor da caixa mais barata do próximo nível auditivo. Vamos ver o próximo nível, que aparece na tabela da revista AUDIO, relaciona aparelhos que obtiveram 81 pontos de qualidade sonora. A minha experiência, no entanto, tem mostrado que é preciso subir pelo menos três pontos nesta escala, para que possamos perceber alguma diferença sonora significativa. Seguindo este raciocínio, vamos verificar quanto custaria, então, lá no nível sonoro dos 83 pontos, a caixa mais barata? A tabela mostra que esta próxima caixa, a Triangle Ventis XS, está custando 3100 euros, ou seja, ela é 1,73 mais cara do que a caixa JM Lab Electra 906, de 1.790,00.
       Foi assim que, tendo realizado esta mesma análise inúmeras vezes, tomando os vários grupos de pontuação sonora, cheguei a esta conclusão: como regra geral, o novo aparelho que eu tiver que comprar deverá custar em média o dobro do valor daquele que eu quero substituir, para que eu não tenha nenhuma frustração nesta nova compra e para que eu realmente possa subir um pouco mais, rumo ao topo do pinheiro.
       Vejamos a mesma análise para os powers, onde a situação ainda é mais crassa: O power mais barato deste nível é o T+A A 1520, custando 1.900 euros, e o mais caro é o Krell HTS, de 12.000 euros, portanto com um valor 6,3 vezes maior. Vocês viram que diferença enorme! E o próximo nível da listagem da AUDIO já apresenta 105 pontos, onde se constata que o aparelho mais barato custa 5.000 euros, ou seja, um fator 1,63 maior. Portanto, o nosso critério de substituir um aparelho por outro, que custe pelo menos o dobro do valor do anterior, é um critério até modesto, em direção à conquista do menor up grade possível de se fazer. Percebam contudo que, mesmo com todo este zelo, este critério não nos oferece total garantia de resultado, pois ainda poderemos permanecer no mesmo nível! Seria preciso acrescentar aqui a preciosa avaliação de um ouvido afinado e auditivamente mais amadurecido para nos dar a última palavra! Para piorar a situação, temos que considerar que nem todos os aparelhos são compatíveis entre si!
       Vamos, portanto, analisar agora a compatibilidade, através do parâmetro AK. Pergunto: existe, neste exemplo, algum power que não consiga tocar alguma caixa específica? Sim, o power Octave M 100 que, com um AK=49, não consegue tocar nenhuma das caixas, a não ser a Tannoy D-900, que tem um AK=34, ou seja, a única caixa que tem um AK menor do que o deste power. Temos também o power Kora Titan, (AK=59), que não consegue tocar as caixas Elac 512, (AK=69), Isophon Galileo, (AK=71), JM Lab Electra 906, (AK=60) e Visonik Concept 5, (AK=61). E assim nós poderíamos continuar a análise com cada power. O único power que toca todas as caixas é justamente o mais caro (digo que, neste caso, coincidiu de ser o mais caro) que é o Krell HTS e que apresenta um AK=79. Bem, finalizando, dentre estas opções, qual a combinação que deveríamos escolher e levar para ouvir em nossa casa? Neste exemplo aqui apresentado, os dois aparelhos mais baratos são compatíveis entre si, ou seja, a caixa JM Lab Electra 906, (AK=60) e o power T+A A 1520, (AK=69), onde gastaríamos um total de 3.690 euros. Uma segunda opção seria tomarmos a caixa Canton Karat M 80, (AK=54) e o power Aloia ST 13.01, (AK=60), o que corresponderia a um valor total de 4.700 euros. E aí desfrutaríamos de uma bela audição! Que tal?!

Conclusão

Neste artigo, mostramos aspectos importantes para se fazer uma escolha coerente de equipamentos e analisamos especificamente como fazer uma boa escolha entre power e caixas acústicas. Vimos que, como estes dois aparelhos estão muito inter-relacionados, se torna importante verificarmos logo de início se há ou não compatibilidade entre eles, antes de pensarmos em combiná-los entre si. Vimos também como a análise da compatibilidade é feita lá fora, com que base técnica, e como ela é obtida pelo leitor, através da sobreposição dos dois gráficos de tensão-impedância-defasagem dos powers e das caixas acústicas. A partir daí, a fim de exemplificar, escolhemos uma revista especializada em áudio, de renome internacional, a revista AUDIO alemã. Procuramos discutir a metodologia desta revista em relação a uma revista nacional, a fim de que pudéssemos entender a linguagem de cada uma para, então, estarmos em condições de fazer comparações válidas, a partir de tudo aquilo que elas nos apresentam e chegarmos a conclusões corretas.
       Para que esta nossa análise não perdesse a coerência, tomamos como exemplo algumas caixas acústicas e powers, avaliados pela revista alemã como pertencentes a um mesmo nível de qualidade sonora. O nosso objetivo, com este exercício, foi chegar a descobrir a melhor escolha que poderíamos fazer, dentre as várias combinações possíveis, entre estas caixas acústicas e powers arrolados. Desta análise, também resultaram as combinações que não seriam recomendáveis para este caso.
        Espero, com tudo isto, ter conseguido demonstrar que trocar “6” por meia dúzia não vale a pena. É perda de dinheiro e tempo! Portanto, cuidado! Num futuro up grade, levem em conta o preço do aparelho a ser adquirido, considerando o valor que vocês já gastaram com aquele aparelho que agora pretendem substituir. Recomendo-lhes que o novo aparelho tenha pelo menos o dobro do valor do antigo. Mas façam isto com muito critério, pois o risco de fazer uma má escolha ainda continua alto! Não tenham pressa para decidir. Procurem se informar o melhor possível. (Vejam também a venda de usados do mercado)
       Embora toda esta análise aqui seja passível de crítica, creio que a grande arte é conseguirmos nos posicionar, refletindo em cima destas idéias e posturas, com o intuito de edificarmos e otimizarmos os nossos sistemas. O nosso desejo é tornar os nossos sistemas cada vez mais prazerosos e também que eles possam se tornar modelos para outros! Nós, leitores, só teremos a ganhar, melhorando as nossas compras e orientando melhor a indústria do áudio!
       Aquele abraço a todos vocês!! Ótimas audições!! E até a próxima!
 
           Coloco meu e-mail à disposição de vocês: jorgeknirsch@byknirsch.com.br  

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