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  Uma Entrevista com Jorge Knirsch

Veja o teste:
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  Veja os comentários de Fernando Sampaio (RJ) a respeito de fiação sólida e aterramento do neutro.
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ATERRAMENTO: FAZ DIFERENÇA?!
PARTE 5: O Aterramento Eletrostático

Elétrica

 Jorge Knirsch

Introdução

Estou recolhido em minha sala de audição, desfrutando o Concerto No. 2 para piano e orquestra, opus 102 de Shostakovich (Classics for Pleasure — EMI CFP-4547). Por sinal, excelente disco, recomendado pelo Erich Bedricovetchi (São Paulo). Neste ambiente, tomado por um ânimo musical excitante, inicio esta última parte da série de artigos que venho escrevendo sobre a otimização do sistema eletrônico para a reprodução do som. Tema da parte de hoje: o aterramento eletrostático.
        
Este, dentre todos, será o capítulo mais difícil de escrever devido às implicações que poderá trazer ao seu equipamento.
         Os nossos colegas Holbein Menezes (Florianópolis) e Mário Bodanese (Lagoa Vermelha) sabem do que estou falando. Ambos sofreram repetidas queimas de fusíveis nos amplificadores, devido a algumas experiências feitas no processo de aterramento eletrostático dos sistemas deles, porque não haviam levado em conta todos os pré-requisitos necessários. Ainda bem que foi só queima de fusíveis! Já no meu caso, há alguns bons anos atrás, quando iniciei minhas experiências com aterramento, destruí por puro descuido um par de caixas acústicas! Por esta razão é que venho relatando a vocês com detalhes toda a teoria do aterramento, passo a passo, e indicando todos os cuidados que se deve tomar. Procuro levar a tarefa a bom termo para que vocês atinjam o resultado sonoro que todos desejamos.
         A respeito do último artigo em que escrevi sobre aterramento eletromagnético, o colega Godofredo Couto Cardoso (Aracaju) levantou uma questão interessante: perguntou se a chapa de aço que se coloca sobre a prateleira da estante tem que ter necessariamente as dimensões exatas da prateleira. Quis também saber se esta chapa poderia ser pintada ou se tal interferiria no aterramento. Naquele artigo, eu havia sugerido para aqueles que usam estante não metálica, que colocassem uma chapa de aço, de 2 a 3 mm de espessura, sobre cada prateleira. Isto funcionaria como um anteparo capaz de bloquear as ondas eletromagnéticas. Respondendo ao amigo Godofredo, esclareço que, para que a chapa metálica funcione como um bom anteparo, protegendo o aparelho da influência eletromagnética, bastará que tenha dimensões um pouco maiores do que as do aparelho (tanto na largura quanto na profundidade). Em se tratando de vários aparelhos numa mesma prateleira, a chapa precisará, igualmente, proteger a todos. Quem quiser, poderá pintar a chapa, sem problema algum, desde que preserve livre de tinta o local onde será colocado o parafuso para fazer a interligação com as outras chapas da estante. É preciso tomar este cuidado para se garantir um bom contato elétrico e, com isso, permitir que o aterramento seja efetivo.
         No último artigo, eu também fizera considerações a respeito dos blocos de ferrite. Desejo agradecer aqui ao Dr. Avelino Neto (Brasília) pelo seu entusiástico apoio. Depois de ler o artigo, Dr. Avelino resolveu realizar experiências com os blocos de ferrite colocados nos cordões de força dos aparelhos de som e, de igual modo como eu relatara, também constatou alteração indesejável nos agudos, com evidente perda de musicalidade.
         Vamos agora iniciar o estudo do aterramento eletrostático. Começaremos pela análise do terra interno de um aparelho eletrônico.

© 2004-2014 Jorge Bruno Fritz Knirsch
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O Terra Interno de um Aparelho de Som

Todo aparelho eletrônico de áudio, independentemente de ter ou não o terceiro pino no cordão de força, possui um terra interno. Este é o ponto referencial das tensões do aparelho. Para entendermos como tal terra é constituído, vamos aqui apresentar as principais partes internas de um aparelho de som.

Fig. 1. Os principais componentes de um aparelho eletrônico de áudio.

 No esquema, estamos mostrando apenas as partes básicas de um aparelho e a maneira como elas estão relacionadas com o terra. Com isso, pretendemos facilitar a compreensão de assunto tão complexo.
         Em cima, à esquerda, temos o cordão de força, que poderá ou não ter o terceiro pino. Como vocês sabem, a função do terceiro pino é aterrar o aparelho, que sempre existe internamente. Ele liga a central de terra do aparelho ao terra do sistema ou por exemplo do jardim. Isto é feito para que o aparelho possa descarregar suas tensões aleatórias (as cargas eletrostáticas), escoando-as pelo terra do jardim. Estas cargas eletrostáticas não são necessárias ao funcionamento do aparelho. Aliás, elas surgem de forma imprevista e acidental. Como são totalmente dispensáveis, devem ser eliminadas, para não interferirem no processo, de forma indesejável e inadequada. O nosso planeta Terra absorve todas essas cargas elétricas excessivas com a maior facilidade, uma vez que ele apresenta a menor tensão possível: tensão nula.
         É importante lembrar que a fase e o neutro são os provedores de energia do aparelho. Portanto, a energia vinda da rede elétrica entra no primário do transformador pela fase e pelo neutro.
         Sabemos que a tensão da energia da rede elétrica é alternada. No entanto, essa tensão só será adequada para alimentar os circuitos de áudio se for transformada em tensão continua regulada ou não. A função de adequar a tensão da rede aos circuitos de áudio cabe ao transformador, à ponte retificadora e à fonte de alimentação.
         Gostaria agora de mencionar um procedimento inadequado, que acontece muitas vezes sem que tenhamos consciência disso: a inversão dos pinos do neutro e da fase (do cordão de força) na tomada da parede. Tal inversão não é correta porque inverter a polaridade causa uma piora no som. Observem no esquema (Fig. 1) o porquê disso. Sabemos que há uma polaridade entre o primário e o secundário do transformador. Esta polaridade está representada, no esquema, pelos pontos ao lado dos enrolamentos do transformador. Note que o ponto no primário é ligado à fase, enquanto que o ponto no enrolamento secundário corresponde, após a ponte retificadora, à fonte de tensão continua positiva (ou seja, corresponde ao positivo da fonte de alimentação). Já o neutro, que é ligado ao primário do transformador (no lado sem ponto), torna-se, no secundário (no lado que também não há ponto), a parte negativa da fonte de alimentação. (É importante ressaltar que o negativo da fonte de alimentação é totalmente diferente do negativo do sinal de áudio ligado ao terra). É por esse motivo que se estabeleceu a seguinte convenção: quando enfiamos os pinos do cordão de força na tomada da parede, sabemos que o pino da fase é sempre aquele que fica à direita. Nas tomadas americanas, para se evitar erro de inversão, o pino do neutro já vem diferenciado do pino da fase (o pino do neutro é mais largo).
         Gostaria agora de analisar com vocês um outro ponto interessante da problemática do aterramento: as diferenças entre neutro e terra.
         Vamos nos reportar novamente ao nosso esquema. Como vimos, o neutro é um dos terminais do primário do transformador isolador, enquanto que o terra, como podemos verificar, é o centro do enrolamento do secundário. Como vocês sabem, entre o primário e o secundário existe apenas uma separação galvânica, por meio da qual um campo magnético transfere toda a energia necessária ao secundário. Portanto, não existe nenhum contato elétrico entre o neutro e o terra. Podemos observar que, dentro do aparelho, eles estão totalmente separados: enquanto que o neutro está no terminal do primário (sem ponto), o terra está no centro do secundário. É verdade que ambos estão no mesmo nível de tensão, pois o neutro, como já estudamos anteriormente, está aterrado pela concessionária de energia e na nossa entrada de energia.
         Como pudemos constatar, o terra do transformador sai do meio do enrolamento do seu secundário. A partir daí, sai um fio que vai até ao ponto T. Este ponto T representa o terra central do aparelho. Em geral esse terra é fixado em um determinado ponto da carcaça metálica do aparelho. Mesmo que a carcaça seja de plástico, pode-se escolher algum ponto dela para ser a central de terra do aparelho.
         Note que, desta central T saem todas as ligações de terra para cada circuito do aparelho. O importante é que esta central esteja eqüidistante de todos os pontos das placas eletrônicas onde os referenciais de terra serão utilizados. Quero dizer com isso, que os comprimentos dos fios que fazem tais ligações devem ser mais ou menos iguais entre si. É importante que seja assim, para que haja um mesmo nível de tensão entre todas as partes do aparelho.
         Podemos observar que, em aparelhos bem projetados, o ponto T assume a forma de uma estrela, pois dele saem todos os fios terra para todos os circuitos do aparelho, assim como para as fontes de alimentação, para os circuitos de áudio, como também para todos os circuitos de proteção que porventura o aparelho tenha.
         Entre os principais fatores que vão assegurar a boa qualidade sonora de um aparelho estão: o ponto terra corretamente projetado e a adequada topologia dos circuitos de áudio desse aparelho. Ao lado de outras premissas relevantes, é isso que vai distinguir os aparelhos de primeira linha dos de qualidade inferior.
         Infelizmente, muitos fabricantes de equipamentos de áudio ainda não reconheceram este fato. Utilizam-se do assim chamado “terra em linha”, isto é, ao invés de adotarem uma central T bem definida, vão interligando, em linha, um ponto ao outro dos referenciais de terra, percorrendo, deste modo, todos os circuitos do aparelho. Procedendo assim, estão, sem se dar conta, gerando pequeníssimas diferenças de tensão entre os referenciais. Isso vai acarretar vários problemas sonoros, sendo o mais danoso deles a perda da nitidez do som. Outro inconveniente que poderá surgir, por exemplo, é o aparecimento de um zumbido muito baixo nas caixas acústicas.

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         Outro aspecto importante que devemos analisar a partir do nosso esquema é o seguinte: observem que tanto o negativo do sinal de entrada quanto o negativo do sinal de saída, ambos estão aterrados no ponto central T. Quando existir o terceiro pino da tomada, este também estará aterrado ali no ponto central T. Porém, em muitos aparelhos observamos algo diferente: o negativo do sinal de entrada não é diretamente ligado à central de terra T, mas indiretamente, por meio de resistores de baixo valor, ou de outros componentes eletrônicos, colocados em série. Esse procedimento em geral é feito como um recurso para proteger-se a saída do aparelho contra níveis de tensão continua inadequados, caso os níveis de tensão indesejáveis apareçam na entrada do aparelho (off set). Esse artifício de proteção, no entanto, não é adequado para se efetivar o aterramento no seu conceito mais pleno. Por tal motivo, sugiro que você verifique, em cada aparelho do seu sistema, se o negativo do sinal de entrada está realmente em curto com o negativo do sinal de saída. Para isso, você deve, em primeiro lugar, desligar todos os aparelhos da tomada e, em seguida, desconectar todos os cabos. Faça então a verificação, com a ajuda de um multitester ou de um ohmimetro, de preferência digital. Vá anotando os dados constatados para cada aparelho. Não deixe de anotar também a existência ou não do terceiro pino e se ele está realmente em curto (=resistência nula) com os negativos do sinal. Quero, no entanto, lhe pedir para não iniciar ainda nenhuma medição, pois explanarei mais adiante todos os passos que devem ser dados, com detalhes. Peço isso para que você não venha a correr riscos desnecessários.

Os Cabos

Quanto aos cabos, você precisará verificar a resistência do negativo e do positivo, de um terminal ao outro. Para essa verificação, utilize-se também do ohmímetro. Entre os negativos dos dois terminais do cabo, e também entre os positivos, o ohmímetro deverá indicar um curto (resistência nula). Isso normalmente ocorre com todos os cabos que utilizam cobre ou prata como condutor. No mercado, porém, há cabos que utilizam outros tipos de materiais, onde a resistência interna não é nula, seja no positivo, seja no negativo. Anote os valores que encontrar, pois, neste caso, teremos que tomar outras medidas com relação ao seu sistema de som. Da mesma forma, faça igual verificação para os cabos digitais caso você esteja utilizando transporte e conversor digitais separados.

Um Pouco de Teoria

Um pouco de teoria será necessário para que você venha a entender o conceito do aterramento. Há princípios importantes que não podemos deixar de respeitar. O primeiro deles versa que: “Todo loop de terra gera instabilidade em um sistema eletrônico (oscilações) e, em conseqüência pode gerar ruído em um sistema de áudio”. Vamos esclarecer o que vem a ser “loop de terra”: um loop de terra ocorre quando uma corrente elétrica encontra mais de um caminho para chegar ao terra. Pelo exemplo a seguir, vocês poderão visualizar esse fenômeno e compreender o que acontece. Observem a Fig. 2:  

Fig. 2. Ilustração de um Loop de Terra.

A Fig. 2 nos mostra dois aparelhos de som ligados em série. Notem que ambos possuem o terceiro pino na tomada e, por conseguinte, sabemos que os dois aparelhos estão aterrados. Observem agora a carga eletrostática I (trata-se de uma carga de corrente elétrica instantânea, que deverá ser eliminada). Ela vem vindo pelo ramo A, passa pela central de terra T2 e quer chegar ao terra do nosso jardim. Notem que, a partir da central T2, ela encontra dois caminhos para chegar ao terra do jardim. Vocês seriam capazes de identificá-los? O mais fácil é aquele aonde a carga eletrostática vai seguindo diretamente pelo terceiro pino do aparelho 2, para daí chegar ao terra do jardim. E o outro caminho? Confiram: a partir da central T2, a carga I entra pelo negativo do sinal no aparelho 1, vai até a central de terra T1, segue para o terceiro pino do aparelho 1 para, finalmente, chegar ao terra do jardim.
         No exemplo acima, estabeleceu-se dois caminhos para o aterramento. Isso, no jargão técnico, é chamado de «loop de terra». A dupla (ou múltipla) possibilidade de passagem da carga eletrostática I cria um certo vai-e-vem no seu fluxo, ou, em outras palavras, uma certa instabilidade, um certo titubear em seu caminhar. A isso denominamos “oscilação eletrônica”. Essa oscilação pode aparecer de forma audível nas caixas acústicas, em forma de ruído, o qual poderá se apresentar de múltiplas maneiras, isto é, poderá ser um ruído quase inaudível ou algo mais pronunciado, em alto volume, manifestando-se na forma de um chiado ou “rumble”, podendo se evidenciar no grave, no médio, ou no agudo, ou até mesmo nos três alto-falantes de forma simultânea. Alguns aparelhos de som, por terem sido projetados com um certo descuido, apresentam “loops de terra”, já internamente, em suas placas de circuito impresso. Nesse caso, como os ruídos que se manifestam são crônicos e sem solução, não há realmente nada que se possa fazer, a não ser substituir tais aparelhos por outros, de qualidade superior.
         Devemos, portanto, estar atentos quanto aquilo que podemos sanar ou evitar, em especial “loops de terra” externos criados, por algum motivo, de forma inadvertida.
         Procurando respeitar o primeiro princípio do aterramento, ao evitar loops de terra, estamos assumindo que o segundo princípio do aterramento é também verdadeiro. Ei-lo:
“Um sistema de som ideal é aquele que está aterrado somente em um ponto”. (Mais adiante veremos que isso nem sempre é possível).
        Pergunto: em que ponto da nossa cadeia de som devemos realizar o único aterramento? A teoria, hoje bem fundamentada com comprovação prática, nos esclarece que quanto mais próximo da emissão do som o aterramento for feito, melhor será a qualidade sonora do sistema. Vamos considerar, como o ponto ideal de toda a cadeia de reprodução para se fazer o aterramento, o amplificador, já que ele é o aparelho mais próximo da emissão sonora. (Note que falei da emissão sonora e não da geração do sinal).
         Portanto, em uma situação ideal, o sistema de som estará aterrado em apenas um aparelho: o amplificador. Estamos considerando aqui, como sistema de som ideal, aquele sistema em que todos os cabos apresentam resistência nula, tanto no ramo positivo como no ramo negativo, e em que os negativos dos sinais de entrada e de saída de todos os aparelhos estão em curto. É neste caso, e somente neste caso, que o segundo princípio do aterramento poderá ser aplicado.
         Observem o esquema do sistema ideal, conforme nos mostra a Fig. 3. Notem que, em tal sistema, representado pela Fig. 3, o transporte e o conversor estão presentes. Se no lugar deles, estivéssemos usando um cd player, para efeito de aterramento, a ligação do cd player seria igual á do transporte (pois ambas as ligações são do mesmo tipo). O cd player estaria, portanto, diretamente ligado ao pré-amplificador. Note o leitor que nesse esquema, a titulo de simplificação, uma única caixa acústica foi representada (é claro que, no nosso sistema, usamos pelo menos duas caixas).
         Como já mencionamos, no sistema ideal todos os cabos (digitais e de interconexão) possuem um curto tanto no ramo positivo, como no ramo negativo (resistência nula). Em cada aparelho, todos os negativos de entrada e de saída estão ligados às suas respectivas centrais de terra. O terceiro pino no cordão de força, de cada aparelho, ou não existe, ou foi anulado por meio de adaptador, com exceção do amplificador, cujo terra é o terra efetivo de todo o sistema.

Fig. 3. O aterramento de um Sistema Ideal.

 Desta maneira, como vocês podem notar, todos os aparelhos da cadeia de áudio estão aterrados, via aterramento apenas do amplificador.    

Algumas Considerações Importantes Antes da Prática

Como em todas as áreas, a parte prática nem sempre se encaixa com a teoria. Diz-se que todas as técnicas têm os seus macetes, e aqui não é diferente. Por isso, vamos devagar, sem precipitações, analisando cada detalhe antes de nos aventurarmos a “por as mãos na massa”.
         O nosso objetivo será, sempre que possível,  aproximarmo-nos ao máximo daquele sistema de áudio ideal. Estaremos, no entanto, atentos para que o nosso sistema não entre em oscilação pois, como vimos, isso cria ruído nas caixas acústicas.

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         Quero recomendar-lhes que adquiram um multiteste digital (se já não o possuírem), para as experiências que vamos realizar em prosseguimento. As medições com os aparelhos digitais ficam mais fáceis e precisas. No mercado existem inúmeras marcas e modelos, a preços bastante acessíveis. Sugiro multiteste da Fluke, existem vários modelos. São de excelente qualidade e tem todas as funções básicas necessárias para que realizemos um bom aterramento.
        
Nesta altura do campeonato, espero que muitos de vocês já tenham instalado o terra no jardim e puxado o fio até a tomada da sala de audição. Espero também que não tenham se precipitado, realizando experiências que poderão resultar em algum dano. Antes de começarmos, providenciem alguns adaptadores de 3 para 2 pinos, para que possamos anular o terra de alguns aparelhos. A Prime fabrica um adaptador bastante robusto e bom. Note bem: nunca faça qualquer experiência sem antes desconectar os cabos positivos (ou os cabos negativos, tanto faz) de cada caixa acústica. Isso vale também para sistemas com satélites, subwoofers, etc. Só aí você poderá alterar o terra do cordão de fôrça de um dado aparelho, usando o adaptador. É importante que se aja assim como medida de precaução, para que nossas caixas acústicas não sofram dano, caso se criem oscilações no sistema ao mudarmos o aterramento.
        
Volto a frisar: nunca religue o sistema sem antes ter desconectando as caixas!! O risco é muito grande e não compensa. Não seguir esse procedimento poderá, de forma irremediável, danificar as caixas acústicas!!
       
Após desligar as caixas e fazer as modificações necessárias, ligue de novo o sistema. O amplificador deverá ser o último a ser ligado (da mesma forma, quando desligar o sistema, sempre desligue primeiro o amplificador). Em seguida religue, com um leve toque, isto é, aos pouquinhos, o cabo positivo de uma das caixas, a fim de verificar se não surgiu nenhum ruído nelas. Caso esteja tudo 0K, ou seja, caso não haja zumbido algum, religue todos os cabos e avalie o resultado do aterramento, ouvindo o seu sistema. No entanto se no processo de religar o sistema você notar ruído na caixa, volte atrás e analise o que aconteceu. Mais adiante lhes forneceremos alguns dados que irão ajudar nessa análise.

Realizando o Aterramento na Prática

Tendo colocado todas essas premissas, vamos agora dar início às nossas experiências práticas. Desligue todos os aparelhos, fazendo o mesmo com todos os cabos. Antes de tudo, vamos analisar aparelho por aparelho, cabo por cabo. Começaremos pelo amplificador. Em seguida iremos observar o cabo de interconexão entre o amplificador e o pré-amplificador; depois o próprio pré; em seguida o cabo de interconexão entre pré e conversor; depois o próprio conversor, depois o cabo digital e, finalmente, o transporte.
          Acreditem ou não, já vi amplificadores high-end que não apresentavam o terceiro pino no cordão de força! O que vocês querem que eu diga? Claro que são inadequados para um bom sistema de som! Hoje já não é concebível um amplificador sem o terceiro pino do terra no cordão de força.
          Vamos agora fazer algumas medidas, com o multitester. Coloque-o na função para medir resistências, na escala mais baixa, que normalmente é de 200 ohms. Coloque os terminais do multitester em curto e ajuste no “zero ohms”. Caso isso não seja possível, devido às características intrínsecas do aparelho, não se esqueça de descontar, das suas medições efetivas, aquele valor encontrado quando em curto (que normalmente fica entre 0,1 e 0,9 ohms). Meça a resistência entre o terceiro pino e a carcaça do aparelho. Essa medição deve apresentar uma resistência nula. Tome cuidado, pois é fácil haver um mau contato na carcaça, indicando uma resistência com valor diferente de “O ohm”. Para garantir um bom contato, escolha, por exemplo, um parafuso da carcaça.
          Essa experiência demonstra que a central de terra do aparelho está ligada à carcaça. Vamos medir agora a resistência entre o terceiro pino e o negativo do sinal de saída. Como resultado, você deverá encontrar um curto-circuito, ou seja, a resistência também deverá ser nula. Isto quer dizer que o negativo do sinal de saída também está ligado à central de terra do aparelho. Até aqui, tudo bem. Vamos então em frente. Mediremos agora a resistência entre o terceiro pino e o negativo do sinal de entrada. Se você encontrar um curto, isso é bom, pois significa que a teoria continua valendo no seu sistema. No meu caso, por exemplo, não foi isso o que aconteceu: ao medir o Krell (KSA- 100S), encontrei um valor de 2,2 ohms. Suponho que deva haver um componente eletrônico aí intercalado, provavelmente um resistor de 2,2 ohms. Isto significa que a entrada do meu amplificador não está aterrada. Foi por isso que, além de ter aterrado o amplificador, precisei também aterrar um aparelho anterior a ele (no caso, o conversor), para que o sinal que chega ao amplificador tivesse um referencial nulo de tensão. Por que escolhi o conversor, e não o pré-amplificador, que é o aparelho logo anterior ao amplificador, para aterrar e solucionar o problema? Vocês irão dizer que eu cometi um equívoco ao ter deixado de respeitar aquela premissa que versa: “quanto mais próximo da emissão do som o aterramento for feito, melhor será a qualidade sonora do sistema”. De fato, vocês teriam razão, se o meu pré-amplificador não fosse passivo. Como vocês sabem, um pré-passivo não possui central de terra; por isso, no meu caso, tive que aterrar o conversor. Utilizei, para isso, o terceiro pino do cordão de fôrça.
         Hoje é muito comum encontrarmos, nos amplificadores, um componente eletrônico intercalado entre o negativo do sinal de entrada e a central de terra do aparelho. Esse é um recurso de proteção normalmente adotado, por ser simples e barato, contra níveis de tensão continua inadequados que porventura entrem no aparelho, e que, se não fossem eliminados, poderiam vir a danificar as caixas acústicas. Do ponto de vista do aterramento, sabemos que tal não é a melhor solução. No entanto, a solução ideal seria muito complexa no aspecto técnico e, por via de conseqüência, comercialmente cara. Uma outra alternativa para se resolver esse problema tem sido a utilização de capacitores de desacoplamento na entrada do aparelho. Porém, tal solução tem se mostrado mais inadequada ainda, pois os capacitores acrescentam coloração ao som, o que é indesejável sob todos os aspectos.
         Se, no seu caso, você encontrou um curto entre o terceiro pino e o negativo do sinal de entrada do seu amplificador, vá ao próximo passo: confira o cabo de interconexão entre este e o pré-amplificador. Com o multitester aferido para medir resistências, meça a resistência do condutor negativo e, depois, do condutor positivo do cabo. Para medir o condutor negativo, coloque as pontas do multitester na capa dos terminais RCA. E, para medir o condutor positivo, meça os pinos centrais dos RCA machos de cada lado. Se ambas as medidas indicarem curtos-circuitos, a teoria do sistema ideal continua valendo: neste caso somente o amplificador será aterrado (pelo menos, por enquanto, a não ser que apareça a necessidade de alguma outra intervenção). Você, neste caso, está apto a dar o passo seguinte. No entanto, se numa destas medições você encontrar um valor não nulo no amplificador, o pré-amplificador precisará ser aterrado, além do amplificador. Tenho realizado experiências que mostraram que os cabos podem provocar oscilações no sistema (ruído) e, quando aterramos o aparelho logo anterior ao cabo, o ruído é minimizado.

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         Vamos agora ao passo seguinte: à análise do pré-amplificador. Procederemos aqui da mesma forma como o fizemos com o amplificador. No pré, as medições normalmente costumam mostrar que os negativos dos sinais, tanto de entrada quanto de saída, estão em curto. Se este for o seu caso, utilize um adaptador para anular o terceiro pino do cordão de força do aparelho. (Perceba que, se viéssemos a aterrar um aparelho, nesta situação, estaríamos criando um loop de terra — Veja a Fig. 2 novamente). Mas, se você descobrir que o negativo do sinal de entrada do seu pré não está aterrado, então deverá aterrar o aparelho logo anterior a ele, ou seja, o seu conversor (ou o seu cd-player).
        
Espero estar conseguindo lhes transmitir a técnica do aterramento: indo do amplificador ao transporte (ou ao cd-player, se este for o caso), sempre que o negativo do sinal de entrada de um aparelho for interrompido, ou seja, sempre que o negativo do sinal de entrada não estiver diretamente ligado ao terra deste aparelho, o aparelho imediatamente anterior a ele deverá ser aterrado.
        
Bem, creio que, a partir daqui, você já poderá continuar a experiência sozinho. Apenas um lembrete: no conversor, o negativo do sinal analógico de saída e o negativo do sinal digital de entrada devem estar em curto. Já no transporte, ou no cd-player, pouco se tem para conferir, pois neles só existe um sinal de saída.
         Terminada toda a verificação, religue os cabos no sistema. Neste momento é importantíssimo você desligar um dos terminais dos cabos de caixas acústicas, para evitar qualquer dano à elas. Religue agora todos os aparelhos (que estejam com o terceiro pino anulado, ou não) começando pelo transporte (ou pelo cd-player), e terminando com o amplificador. Ainda com um dos cabos da caixa desligado, apenas encoste-o no terminal da caixa para verificar se não aparece ruído. Se não aparecer, 0K, religue todas as caixas, coloque sua música preferida e avalie o seu «novo» sistema. Mas, caso um ruído apareça, será preciso reavaliar todo o procedimento. Refaça as medições, tomando muito cuidado para não incorrer em erro. É mais fácil encontrar um valor resistivo qualquer do que um curto. Confira se existe consistência nos valores encontrados.
 

Conclusão

Voltados para o áudio, acabamos de apresentar, em 5 partes, o tema “Aterramento: Faz diferença?!” em que falamos das várias facetas do aterramento e de suas implicações para um sistema de som.
         Orientamos como colocar as hastes de aterramento para a criação do terra, em qualquer tipo de terreno, levando em conta também os terrenos arenosos e os rochosos. Falamos, em seguida, a respeito da correta colocação dos pinos dos aparelhos nas respectivas tomadas. Comentamos sobre os malefícios que aqueles blocos de ferrite, normalmente colocados nos cordões de fôrça dos aparelhos, trazem ao som. Em seguida, falamos a respeito das ondas eletromagnéticas e descrevemos a forma de se implantar o aterramento eletromagnético, a fim de resguardar o nosso equipamento dos efeitos destas ondas. Finalmente, apresentamos o aterramento eletrostático, dando uma orientação precisa a respeito de qual ou quais aparelhos deverão ser aterrados, considerando-se as peculiaridades de cada sistema.
         Mas, até agora, não mencionei nada sobre os sistemas com sinal balanceado. Em principio, o procedimento deve ser o mesmo, com uma diferença fundamental: se, com os plugues RCA fizemos a verificação do sistema em relação aos negativos do sinal, em sistemas balanceados faremos em relação ao pino 1, que é o terra. Veja a Fig. 4.  


Fig. 4. Tomada de Sinal Balanceada.

Em sistemas balanceados, tanto o positivo como o negativo do sinal são vivos e não estão ligados ao terra. Esperamos ter sido bastante abrangentes na nossa abordagem sobre o aterramento, porém temos consciência que estamos longe de esgotar o assunto. A cada dia estamos aprendendo mais um pouquinho sobre este vasto tema.
          Outro dia, o Ricardo Pontes (Fortaleza) me ligou, relatando um sintoma pouco comum acontecendo no seu som: relatou que surgiu, há cerca de quinze dias, uma seqüência de “clics”, tanto no seu som quando no seu telefone, e ele não conseguia descobrir a origem da interferência. Isso me inquietou também. Mais tarde, trocando idéias com o Erich (São Paulo), e depois novamente com o Ricardo, conseguimos “matar a charada”. O Ricardo mora na cobertura de um prédio. Como vocês sabem, na cobertura dos prédios fica também a casa das máquinas dos elevadores: ali ficam vários motores que são ligados e desligados, conforme a utilização dos elevadores. Estes motores são chaveados com contatores de potência. Sabemos que fortes ondas eletromagnéticas são emitidas quando tais motores são ligados e desligados, por meio de contatores. Para se evitar que isso aconteça, são colocados supressores de ruídos sobre os contatos dos contatores. Porém, quando os supressores se queimam, as ondas eletromagnéticas, geradas ali nos contatores, se espalham pelo ar e entram em todos os sistemas elétricos que estejam por perto como, por exemplo, o som e o telefone do Ricardo. Ao ser chamada, a empresa de manutenção do elevador confirmou a queima dos supressores, que já estão sendo trocados. Como vocês vêem, há sempre novidades.
         Desejo a todos uma boa audição, curtindo o “algo mais” obtido com toda essa trabalheira do aterramento. Espero que tenha valido! Até mais!

Atenção: Novos estudos e pesquisas, mostram que a diferença entre a tensão entre fase-neutro e fase-terra (medido com carga) não devem ser superiores a 1V tanto em 120V como em redes 230V. Caso não se consiga valores tão baixos, recomendamos de interligarem o aterramento TT realizado ao aterramento TN que deve existir na entrada de energia do domicílio logo após o relógio de medição, como recomendam as concessionárias. Veja Audiophile News 47. Veja também: Perguntas/Respostas sobre Energia Elétrica - 5a. Parte

Carta de Clientes

Boa noite, mestre!!

 
Consegui!!! Refiz a elétrica toda!! Fios sólidos, fase dedicada para as tomadas dos seus autotrafos e, o melhor: consegui fazer aquela opção de aterramento!!!
 
         ____________  Neutro aterrado na entrada __________________ ||                   || Barramento de terra 
        /                                                                                               ||                   ||
 
       /                                                               Barramento de neutro  ||                   ||
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    Haste 1 (1,5m)|                                                                                                          Hastes 2, 3, 4 (3,0m/cada)
 
           Deu certo! Três hastes de 3m, interligadas com dois condutores, saindo da haste central, um indo para o barramento do neutro e outro para o barramento do terra.
           Os últimos três dias foram de MUITO trabalho! Mas valeu!!!! Acabei de ensaiar e fiquei surpreso com a maior nitidez que observei. Confesso que esperava ver melhoras nas gravações, mas o ensaio ficou muito mais claro!! Fazendo o teste fase-neutro X fase-terra, obtenho quase sempre os mesmos valores... às vezes uma diferença de 0,1 ou 0,2 volts!!
           Muito obrigado pela ajuda!! Ah! Estou ansioso para o curso, vai ser uma honra estar na primeira turma!!! (Curso de Apreciação Musical em jan/14)
 
Grande abraço!

Fernando Sampaio - Rio de Janeiro

 

 

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